Indecisão, eis a questão.

Por Jessica Cayres

Em 20 de Abril de 2016

Ninguém tem certeza de nada. E isso é ok!

Tudo começou com William Shakespeare e o famoso monólogo da tragédia, escrito por volta de 1599. Que atire a primeira pedra quem nunca proferiu: ser ou não ser, eis a questão. Então, veja bem, a dúvida é um direito antigo, popular e, desde então, cultivado.

Eu não sei se quero casar ou comprar uma bicicleta. Muito menos consigo escolher entre doce ou salgado. Me peça um ombro amigo, um conselho, uma piada ou uma companhia, mas não me faça decidir. Embora, muitas vezes, saibamos que a incapacidade de escolha reflete nos outros, acredite, só queremos observar o mundo de cima do muro.

O foco, muito popularizado nos últimos tempos, é o nosso pesadelo. Ainda que a gente goste de esportes, por exemplo, é difícil saber para qual se dedicar. E por mais que a gente queira concretizar alguns planos, não sabemos sequer por onde começar. As coisas são simples na teoria, mas a prática nos permite muitas possibilidades e, junto com elas, um punhado de indecisões.

Para confortar os decididos, saibam que nós costumamos ter um palpite secreto. O grande problema está em assumir os riscos que as renúncias nos impõem. Nós queremos ser livres ao mesmo tempo em que abraçamos o mundo. Somos ímã para a dúvida e alimentados pela constante renovação.

O dilema da indecisão não se faz presente apenas em n’A Tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca. Este drama é meu e possivelmente seu também, que percebeu afinidade até aqui. No entanto, aos que nos acompanham em busca de respostas, saibam que ainda não ainda não temos uma conclusão. Nós não sabemos nem se escolhemos esperar ou se esperamos ser escolhidos.


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