Elementar

Por Alessa Flores

Em 18 de setembro de 2016

“Poupe” seu cérebro para o que é importante.

No Livro “Um Estudo em Vermelho”, escrito por Sir Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes diz que na sua opinião, cérebro humano é um ambiente com espaço limitado. “Eu considero o cérebro do homem como um pequeno sótão vazio, que você preenche com as mobílias que escolhe”, afirma. Holmes é cuidadoso ao preencher seu Sótão Cerebral apenas com informações que poderão ser úteis no seu trabalho, como detalhes de antigos casos solucionados. Para que coubessem todas as memórias necessárias, Holmes se desfez das desnecessárias, como a informação de que a Terra gira em torno do sol (“inútil no meu dia a dia”, ele diz).

Pasted GraphicPasted GraphicCaptura de Tela 2016-05-11 às 18.51.50

 

 

A pesquisadora Maria Konnikova, afirma no seu livro Mastermind: how to think like Sherlock Holmes que a ideia do Sótão Cerebral contém equívocos, mas não está totalmente errada. “Pensar o mecanismo da memória da forma como Holmes descreve na história era o que havia de mais moderno no século 19. Porém, hoje sabemos que a memória é ativa e diretamente relacionada com nossos conhecimentos sobre o mundo, sentimentos e crenças”, afirma Konnikova. É por isso que lembramos melhor dos momentos quando os relacionamentos com o que eles significam, e não com o que são exatamente.

Se nosso Sótão cerebral tem espaço limitado, não dá para ficar enchendo ele com coisas que não tem significância. Mas infelizmente o “lixo informativo” vai se acumulando à nossa revelia e, quando vemos, se torna um obstáculo. Dizem que esta overdose informativa é o mal do nosso século, mas o conceito não é tão novo assim. No livro Future Stock, de 1970, Alvin Toffler já falava sobre isso.

Com o advento da internet, esse input de informações aumentou muito. Parece que temos tudo e não temos nada. Eu mesma cai várias vezes na armadilha enquanto preparava este texto. Comecei a pesquisar, fiquei presa no loop infinito de informações e em dado momento, travei. Não sabia mais pra onde seguir. Fiquei perdida. Você sabe como é esta sensação de pura ansiedade.

Captura de Tela 2016-05-11 às 18.50.44

 

Em “A Dieta da Informação”, Clay Johnson (um dos mestres por trás da última campanha digital de Barack Obama) compara informação com comida. Se você consome muito de ambas, sem critério, pode ter problemas! Assim como a indústria alimentar moderna criou uma geração de obesos, o fast food informativo da internet lotou nosso cérebro de dados inúteis.

Mas, só por que a notícia está estourando diante dos seus olhos você não é obrigado a consumí-la. Clay propõe que se entre em uma “dieta de informações”, mudando os hábitos para consumir menos e melhor. Como em todo processo de desintoxicação, quem topa entrar nesta reeducação passa por uma espécie de síndrome da abstinência chamada “Fear of missing out”  ou “medo de perder algo”. É esse medo que nos faz consultar constantemente feed de notícias e de redes socias.

Apesar de vivermos com medo de perder uma informação importante, o fato é que raramente alguma coisa tão imperdível assim está acontecendo no mundo. A maior parte pode ficar para depois e, quando entendermos isso, poderemos proteger nosso bem mais importante: a memória.


Assuntos